domingo, 26 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Teaser SUBversos - 2º edição


Numa subversão da noção ordinária - que se conecta com o jogo proposto - podemos afirmar que a bússola da SUBversos é o desvio, desvio que promove deslocamentos; deslocam significados correntes, banais, convencionais, dados como certos, a fim de gerar a aparição de novos sentidos, inesperados, não vistos, não perscrutados. Tudo é o mesmo, mas já não é o mesmo. Tudo se alterou, nada se alterou. É o mesmo, mas já não é o mesmo, por um simples e leve deslocamento do olhar.

Objetos e imagens já existentes - tanto no caso dos objetos e instalações, quanto nos vídeos e fotografias - verificamos que, a princípio, aqui não se está criando nada de realmente novo, e sim trata-se de realizar uma sutil e fina articulação que irá gerar uma nova significação para estas coisas já existentes. Eis o pulo do gato. O desvio do mesmo que já não é o mesmo é a possibilidade de que a cada momento, a cada encontro com os entes do mundo, sejamos capazes de tirar a experiência deste encontro da sua banalidade original, expressando, sentidos antes inexpressos, imperscrutáveis, não vistos, não ouvidos.

A linha reta é a mais simples de todas as linhas. Para se obter uma linha reta são necessários dois pontos. A linha reta horizontal expressa equilíbrio, calma e estabilidade. Não existe estabilidade sem uma reta horizontal de referência, uma linha de horizonte, já que nos movemos em um plano horizontal. A linha reta vertical sugere elevação, movimento ascendente, atividade. Também expressa equilíbrio, porém instável, como se estivesse a ponto de cair, isso se não tivesse a ajuda das horizontais, que lhes darão a estabilidade de que carecem.

Revelar sentidos surpreendentes no que antes parecia fadado à visão única ou até mesmo à não visão. Esta operação é a base do arte-vismo psicodélico, que aqui entendemos como sendo o procedimento que garante a possibilidade de reversibilidade do que parecia irreversível; do riso surgir diante do que a princípio só provocaria dor; da riqueza polissêmica surgir onde só haveria um sentido; do aparecimento do terceiro que nos tira do pêndulo fatal do duplo: bem ou mal, sombra ou luz.

Para gerar a arte gráfica da SUBversos, Roosevelt Soares utiliza o método que mistura cut-ups, colagem e a recontextualização na base do plágio, que tem sido há muito considerado um mal no mundo cultural. Tipicamente, o plágio tem sido visto como um roubo de linguagem, idéias, e imagens executado pelos menos talentosos, freqüentemente para o aumento da fortuna ou do prestígio pessoal. No entanto, como a maioria das mitologias, o mito do plágio pode ser facilmente invertido. Talvez aqueles que apóiam a legislação sobre representação e a privatização da linguagem sejam suspeitos. Talvez as ações dos plagiadores, em determinadas condições sociais, sejam as que mais contribuem para o enriquecimento cultural.

O triângulo é uma figura geométrica, fundamentado em uma base sólida, que significa crescimento em direção a um objetivo nobre, que muitas vezes recebe o nome de visão. No alfabeto grego o triângulo é a letra delta, que significa mudança. Os triângulos sobrepostos significam prosperidade. O triângulo central, intersecção dos dois triângulos, significa conhecimento, centro da prosperidade fruto da mudança.

O principal valor da tecnologia eletrônica, especialmente dos computadores e dos sistemas de geração de imagem, é a velocidade surpreendente com a qual eles podem transmitir informações, tanto cruas quanto refinadas. À medida que a informação flui em alta velocidade pelas redes eletrônicas, sistemas de significado díspares e às vezes incomensuráveis se cruzam, com conseqüências ao mesmo tempo esclarecedoras e inventivas. Numa sociedade dominada por uma explosão de “conhecimentos”, explorar as possibilidades de significado naquilo que já existe é mais premente do que acrescentar informações redundantes (mesmo quando produzidas por meio da metodologia e da metafísica do “original”).

Esta é a era do recombinante: corpos recombinantes, gênero recombinante, textos recombinantes, sons recombinante, cultura recombinante.

O teaser da SUBversos esta repleto de símbolos, cuidadosamente inseridos para transmitir um chamado. Mas que chamado é esse? Ao visualizar esse teaser, como você o interpreta?  

Deixe sua opinião e assim ajude a chegarmos a arte final do e-Flyer da SUBversos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Review da 1º SUBversos


Não sabendo que era impossível, foi lá e fez - Jean Cocteau

A SUBversos surgiu com o simples objetivo de unir pessoas que curtem um som psicodélico, mesmo sem saberem ao certo o que diabos é isso. Pois psicodelia não se defini. É sentida e compartilha. Não são rótulos que unem seres psicodélicos. Nem o local que freqüentam ou as roupas que usam, são capazes de sinalizar totalmente os amantes da psicodelia. E sim a vontade louca de se aventurar, ser sonhador por vocação, realista por opção e acreditar profundamente que não precisamos de asas pra sair do chão.

Vamos então escolher um local pra unir essa tribo – e rodamos todo o Rio de Janeiro – Vamos transformar esse ambiente urbano em uma cápsula mágica – e só um verdadeiro artista, que ainda respira psicodelia poderia cumprir essa missão.

E o som?. . . Não poderia ser nada que nos lembrasse da música de radio. Nada que nos lembrasse dos ídolos da ultima semana. Nada que forçasse uma emoção plástica, com vozes angelicais, pianinhos e riffizinhos melosos. Nada que fosse básico demais pra ser decifrado ou complicado de mais que fosse chato … E assim, devidamente o espírito psicodélico possuiu de vez a mente dos DJs.


No sábado do dia 14 de novembro de 2009. Um sol poderoso e fervilhante fez os cariocas soarem a ponto de desidratar. E foi nesse clima que acordamos. Foi nesse clima que nos trancamos no local da festa, o Espaço Marum, o sobrado mais bombante do Catete. Ao chegar la descobrimos que o Marum não para; estava em festa direto desde quinta feira e teríamos apenas 6 horas pra decorar todo o espaço, depois sem intervalo, abrir as portas, receber o público, tocar como djs, desarmar toda a decoração e finalmente entregar o Marum pra uma festa que iria começar logo ao amanhecer.

Um calor insuportável. As ruas cheias de pessoas andando grudadas em suas garrafinhas de água. E la dentro no Marum o artista responsável pela decoração, Ralf Life e seu ajudante inseparável, montavam a decoração enquanto derretiam derramando gotas de pura psicodelia. E nós, ali, ja babando ao ver surgir um novo mundo dentro daquele ambiente estraho que é o Marum.


As 22 horas e trinta minutos, sem tempo pra respirar, apenas uma pequena pausa pra comer um sanduíche e dar uma lavada no rosto, abrimos as portas do Marum.
De portas abertas o público foi chegando ao poucos.
O olhar de cada um deles, não escondia o desagrado com o tempo quente e a desconfiança de terem escolhido o programa errado, por estarem entrando em um ambiente fechado, em uma das noites mais quentes do ano.
Desconfiança que logo era substituída pela certeza de estarem no lugar certo, pois no segundo andar um ar condicionado mega gelado mantinha em clima de montanha um dancefloor alienigena, totalmente fluorescente, cercado por arte psicodélica por todos os lados.


A primeira frase que mais se ouvia naquela noite era - “Caramba, o Ralf destruiu na decoração. Mandou muito bem”. A segunda frase era - “Posso fumar na varandinha? Ahhh porque não?”. Pois é a lei anti-fumo apesar de ter sido sancionada só no dia 18, já estava com fiscalização em cima de todos os bares e boates do Rio. Por isso não era possível fumar dentro do Marum. Porém já antecipando esse fato, distribuímos pulseiras pra que as pessoas pudessem sair da boate e fumar na rua em frente. De inicio essa ação causava uma leve estranheza, mas logo o pessoal se acostumou. O duro foi à noite ir passando, o álcool ir subindo a cabeça e a tarefa de ter que descer e subir escadas toda hora que fosse fumar, ia virando uma aventura de muito equilíbrio… risos … mas todo mundo seguiu a lei, sem cair, e o fumodromo improvisado bombava em conversas a respeito de tudo.


A noite foi passando rápido. A música do dancefloor era totalmente hipnótica e imprevisível. Em um momento você estava imerso em sons que desafiavam a sua compreensão e em outro você nem sentia as músicas, apenas se percebia dançando, como se aquilo fosse à coisa mais natural do mundo. Assim a noite voou. E a pista que parecia lotada de irmãos e irmãs, dançando de uma forma que parecia que um antevia o movimento do outro e repleta de sorrisos que só em momentos especiais se unem, foi aos poucos se esvaziando, mas a grande parte ficou ali, ate o ultimo som.

E assim foi a primeira SUBversos. Uma experimentação, que entre erros e acertos, em sua maioria deu certo pra sua primeira edição e que já se prepara pra uma nova celebração em 2010. 

Muito obrigado a todos que sairam de suas casas e foram viver essa noite com a gente. É possivel uma noite psicodelica indoor no Rio de Janeiro. É possivel uma decoração rica em detalhes. É possivel festejar longe de toda a banalisação que fizeram em cima de algo tão simples, como uma festa de espirito livre…


Você pode conferir mais fotos no site do RaveWay

Flyer é Arte - A 1º SUBversos

No inicio de tudo, alguém pegou uma folha A4, rabiscou com um nome, colocou o endereço, horário o nome de algumas atrações e levou esse papel rabiscado até um mimeógrafo, fez algumas copias, recortou cada um deles e saiu por ai distribuindo esse pequeno papel, com as informações que deveriam levar um determinado público para uma festa imperdível. Assim nasceu o “flyer” de festa – dizem por ai e a historia oficial não nos interessa.

Os flyer são a forma mais direta, barata e democrática para divulgar uma festa. Com o passar dos anos, os rabiscos, foram ficando cada vez mais elaborados e o flyer passou a ser não mais só uma forma de divulgação, de passar informações lógicas, mas principalmente um objeto de arte contemporânea e subjetiva. Nasce o conceito de Flyer Arte (lembra do slogam; flyer é arte. Colecione!).

O Flyer Arte é um processo de criação que visa direcionar e alimentar o imaginário do público de cada evento especifico. Logo, um flyer bem trabalhado, criado por um designer que entende desse imaginário, vai transmitir uma mensagem que ativa no interior do seu público, uma espécie de chamado. Gerando as melhores expectativas para o determinado evento, o flyer fortalece um laço de confiança, entre público e produção do evento. Uma ferramenta tão importante como agregadora de signos, que o contrário de uma criação bem feita, um flyer tosco, feito de forma aleatória e visando apenas passar informações lógicas, pode afugentar totalmente o seu público.

Com a pressão dos tempos ecologicamente correto e a democratização das redes sociais, o flyer impresso em papel se torna não só uma atitude anti-ecológica como também um artigo de luxo/efémero. Surge a era do e-Flyer.

Acreditando nesse conceito de criação, é assim que começamos o nosso chamado.
O e-Flyer da primeira SUBversos foi criada em cima da desconstrução e apropriação da Arte desenvolvida por um dos principais Cyber Designer de nosso tempo: Android Jones (Thomas Andy).


Android iniciou sua carreira no início da cena rave em Melbourne em 1993, criando murais e projeções para festas. Seu amor pela música eletrônica e todas as coisas digitais levou Android a incorporar tecnologia de ponta em seu processo de criação, ainda em 1997, depois de terminar um curso de design gráfico da Universidade Monash, em Melbourne. Sua maior influência vem de documentários e filmes de ficção científica. Ele integra fotografia e imagens geradas por computador, juntamente com o pincel para criar mundos alienígenas e montagens atmosférica baseado na representação visual do Trance e outros gêneros de música eletrônica.


A Arte utilizada como base do e-Flyer da primeira SUBversos, se chama Cylathorn; Inspirado pela contínua evolução do relacionamento, intrínseca entre natureza e tecnologia, Andy produz obras pródiga em vários formatos, incorporando temas complexos e variados da ciência, natureza, música eletrônica e do planeta Terra. Usando uma câmara digital (com lente macro) Andy misturou fotos reais da natureza com as que ele criou usando software 3D. É este método de produzir a obra de arte que realmente simboliza o seu conceito de natureza e tecnologia. A fusão do chip de computador e as células do sangue.


Para o e-Flyer da primeira SUBversos, o processo de apropriação foi realizado por Roosevelt Soares (DJ, Designer, Roteirista, Filosofo de Botequim e maluco profissional). Com a intenção de dar um novo tratamento ao material produzido com fins culturais, a recontextualização da Arte de Andy foi gerada a partir do sampleamento, vetores, font’s e imagens geradas por computador e câmera digital.
- Ficou legal né?!